Quem diz que o samba vai morrer não sabe de nada ! Pelo contrário, está mais vivo do que nunca.

E melhor do que isso, o samba autêntico, das cabrochas e dos malandros, do verdadeiro samba no pé não foi esquecido. Graças, à algumas pessoas que trabalham incansavelmente pela preservação dessa cultura. Uma delas é Rosângela Oliveira.

Seu início no samba foi com muito amor pela azul e branca de Noel. Inspirada em sua mãe, a conhecida baiana “Glorinha Palavrão”, Rosângela viu que o mundo do samba estava longe do glamour das passarelas, e que para conquistar seu sonho teria que passar por várias etapas.
Sem medo do trabalho, a moça fez de tudo um pouco dentro de uma quadra.

Até que surgiu na sua história, Ciro do Agogô, com quem ela aprendeu a sambar e juntamente com outros diretores da época, foram os pioneiros ao se colocar uma ala de passistas atrás da bateria, o que é usado até os dias de hoje.
Foi costureira e aderecista de escolas como Mangueira, Salgueiro, Santa Cruz, Unidos da Tijuca, entre outras.

Seguindo sua paixão pelo samba deu aula em várias escolas do grupo especial e do acesso, no projeto “Sambando Com o Pé no Futuro”.
Quando se falava em samba, lá estava ela, seja qual fosse a função.
Rosângela está sempre em projetos pioneiros, ela gosta de ser desafiada. E seguindo este perfil, lá estava ela quando a primeira turma de ritmistas feminina da Mangueira, surgiu!
Também passou pela experiência de porta-bandeira, tendo se formado no Projeto de Mestre Manoel Dionísio.

Mãe de duas super ex-rainhas de bateria da Estação Primeira de Mangueira, Rosi Oliveira e Fabiana Oliveira, e mais duas moças que também são destaques por onde quer que passem, além de ser uma pessoa extremamente respeitada por muitos sambistas famosos, antigos e novos, tanto pessoal como profissionalmente, a sambista não se preocupa com o peso da idade. Hoje, Rosângela com mais de sessenta anos, continua com muita garra e muita vitalidade, que faz muita gente jovem ficar para trás.

Junto com suas filhas e uma equipe de produção, ela está preparando vários projetos, inclusive de shows e para crianças, pois experiência não lhe falta. Chegou inclusive a ser uma das mulatas de Sargentelli e tem diversos shows internacionais no currículo.
Com toda essa trajetória e experiência, se fôssemos enumerar cada detalhe, dariam ainda muitos parágrafos. Mas agora, toda essa expertise, será aplicada no Carnaval 2018 , na “Primeira Academia do Samba”.
Tendo se afastado da Vizinha Faladeira onde ficou durante um ano e inclusive fez um grande trabalho que lhe rendeu premiação, ela aceitou o convite para ser a Diretora de Passistas do Acadêmicos do Engenho da Rainha, que desfilará pelo Grupo B em 2018.

– Estou muito feliz ! Não só pelo convite, mas pela recepção que tive na escola. É muito bom e gratificante chegar em um ambiente onde somos respeitados. Não nasci ontem no samba, tenho um caminho que lutei muito para construir e sei que posso somar com a escola. Tenho vários projetos em mente, que já estou montando para apresentar ao presidente, que por sinal nos recebeu muito bem. Hoje, vejo alas de passistas dançando funk na avenida, dança do passinho e outras coisas mais, menos o samba. Eu sou da antiga, pertenço a uma geração que sabe o que é o verdadeiro samba no pé e é isso que quero junto com a minha ala, resgatar esse glamour dos passistas ! Trabalhar com as meninas e os meninos da comunidade, dar a eles a oportunidade de sonhar e realizar seu sonho.

Eu cuido dos meus meninos e meninas como se fossem meus filhos. Cuido desde a postura, a educação, comportamento, até cada detalhe de roupa. É isso que a agremiação pode esperar de mim e da ala , muito empenho, trabalho e comprometimento !

Agradeço ao presidente Junior Bad Boy pela oportunidade e, para toda a comunidade eu digo que podem esperar de mim e dessa ala , o melhor ! Vamos trabalhar para dar um verdadeiro espetáculo de samba no pé. Vocês aguardem que a nova ala de passistas do Acadêmicos do Engenho da Rainha vem aí !