Diante de mais uma morte em clássicos de futebol, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ingressou com uma ação civil pública (ACP) no Juizado do Torcedor e Grandes Eventos, com pedido de liminar, para que as partidas de futebol entre os “quatro grandes” do Rio (Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo) passem a ser realizados com torcida única — a do time com o mando do jogo — sob pena de aplicação de uma multa de R$ 30 mil por dia em caso de descumprimento.

A ação foi ajuizada nesta quarta-feira (15/2), três dias após o clássico entre Botafogo e Flamengo, no Estádio Nilton Santos (Engenhão), ter acabado em tragédia. O torcedor Diego Silva dos Santos, de 28 anos, foi vítima de homicídio e outros ficaram feridos em frente ao estádio. Para piorar a situação, recentes manifestações têm sido realizada nas portas dos batalhões da Polícia Militar, acenando com possibilidade de desfalque de policiamento na cidade.

“Ao longo dos anos e, quiçá, décadas, diversos procedimentos têm sido instaurados e ações civis públicas ajuizadas para tratar de condutas graves, como a participação e o envolvimento de torcidas organizadas em brigas, atos de violência, rixas, homicídios”, escreve o promotor de Justiça Rodrigo Terra, responsável pelo ajuizamento da ação civil pública.

O Estatuto do Torcedor prevê que a entidade com mando de campo deve articular as medidas necessárias para garantia da segurança antes, durante e depois do evento. Além dos quatro grandes clubes do Rio, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) são réus do processo por serem responsáveis pela organização dos campeonatos e garantia de segurança dos torcedores.

Diante da impossibilidade de controle de acesso ao estádio e identificação dos respectivos integrantes, a ação pede, em caráter liminar, a proibição da comercialização de ingresso para a torcida adversária ao clube que tenha o mando de jogo, nos clássicos regionais. Vale lembrar que uma medida semelhante foi adotada nos clássicos do futebol paulista, resultando na redução em 75% no número de embates entre torcidas rivais.

Na ação, o promotor pede, ainda, que os clubes cadastrem e mantenham atualizadas, mensalmente, as informações de suas torcidas organizadas, identificando cada um dos integrantes por nome e CPF. Também pede a condenação dos clubes para que se abstenham de fornecer gratuitamente ingressos às suas torcidas organizadas referentes aos clássicos entre os “quatro grandes” do Rio de Janeiro.

 

 

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Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro