Campanha feita por jovens exige ações de redução da letalidade no RJ. Em 2012, negros entre 15 e 29 anos foram quase quatro vezes mais assassinados do que brancos no estado.

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Assim como outros estados brasileiros, o Rio não tem conseguido reduzir a desigualdade racial na distribuição das mortes de jovens por homicídio. Em 2012, foram registrados 1.418 assassinatos de pessoas nesta faixa etária, sendo que mais de mil delas eram negras. A desigualdade se repete nos homicídios decorrentes de intervenção policial (os antigos autos de resistência). No ano passado, o risco de um jovem negro ser morto pela polícia no Rio de Janeiro foi quatro vezes superior ao de um branco da mesma idade.

Procurando contribuir para a mudança desse quadro, o Observatório de Favelas, através da sua Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC, projeto patrocinado pela Petrobras) e instituições parceiras promovem a campanha “Juventude Marcada Para Viver”, pela redução da violência letal contra jovens negros. A iniciativa quer chamar a atenção da sociedade e do Estado para a necessidade de ações que reduzam a quantidade de homicídios, em especial desses jovens.

Tendo como foco o estado do Rio de Janeiro, a campanha será lançada dia 10 de novembro com um evento no Parque de Madureira, além de uma série de ações de marketing de guerrilha em pontos da capital.

A meta da campanha é a coleta de assinaturas em favor do compromisso público do governo estadual com um protocolo normativo da ação policial em espaços populares propondo:

A priorização de ações de inteligência para o controle de controle de armas nesses territórios;

  • Legalidade das ações policiais: obrigatoriedade da identificação de policiais em qualquer ação e o uso de mandados judiciais para o ingresso em domicílios particulares;
  • A proibição do uso de equipamentos, armas e munições que provoquem lesões desnecessárias e risco injustificado;
  • A proibição do uso de armas de fogo a partir de helicópteros policiais;
  • A incorporação de conteúdos sobre relações raciais e geracionais na formação dos agentes de segurança pública.

Para que a campanha consiga chegar nas regiões impactadas pelo problema, o Observatório e seus parceiros trabalham na criação de uma rede de apoiadores em diferentes municípios do estado.