Empreiteira com contrato de R$ 8 milhões guardava material de campanha e mantinha radialista Julio Cossolosso como falso dono de galpão

Polícia Federal entra na investigação envolvendo a prefeitura
Polícia Federal entra na investigação envolvendo a prefeitura

A Justiça Eleitoral e a Polícia Federal investigam empresas campistas envolvidas num esquema de abuso de poder econômico e de ilícito penal e eleitoral envolvendo a prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosinha Garotinho, acusada de desviar dinheiro público para as campanhas do marido dela, Anthony Garotinho, ao Governo do Estado, da filha dela, Clarissa Garotinho, a deputada federal e aos demais candidatos do Partido da República (PR).

 

Fiscais da Justiça Eleitoral cumpriram mandado de busca e apreensão contra a empresa Edafo Construções Ltda, cujo galpão está localizado na Avenida Senador Tarcisio Miranda, no bairro Parque Turf Clube. A empreiteira mantém contratos de prestação de serviços com a prefeitura que totalizam R$ 8 milhões. No local, eles encontraram farto material de campanha – 500 impressos feitos de papelão com a imagem de Anthony Garotinho, cem adesivos de veículos, 360 placas, além de 80 mil exemplares da revista Palavra de Paz – publicação de propriedade de Anthony Garotinho. A ação revelou que houve promiscuidade entre interesses públicos e privados e que há evidências de abuso de poder econômico, uma vez que não se pode usar as dependências de uma sociedade que realiza contratos com a prefeitura em benefício próprio, constituindo ilícito penal e eleitoral.

 

Matéria de página inteira do jornal O Globo, assinada por seus principais repórteres investigativos – Chico Otávio, Maiá Menezes e Vera Araújo – revela que o subsecretário de Governo de Rosinha, Ângelo Rafael Ramos Damiano, estava no local no momento da apreensão e acabou conduzido à Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Em sua defesa, o PR protocolou um pedido de liberação do material, informando que o galpão fora cedido a Julio Cesar de Oliveira Cossolosso – que atua na cidade como DJ e programador de rádio. Nesse momento, o partido de Garotinho cometeu seu maior erro.

 

Convocado, Cossolosso acabou confessando, na quarta-feira da semana passada, que era “laranja” do verdadeiro proprietário do imóvel, Paulo Ferreira Siqueira, conhecido como Paulo Matraca, empresário da cidade. O radialista indicou ainda o envolvimento de outro funcionário da prefeitura no esquema. O DJ contou aos fiscais e policiais que assinou o contrato de cessão do galpão no escritório do Fundo para o Desenvolvimento de Campos (Fundecam). O contrato, segundo ele, foi entregue a ele pelo presidente do Fundecam, Otávio Amaral de Carvalho, o Tavinho. A Polícia Federal investiga a informação de que o radialista tenha recebido R$ 120 mil da Secretaria Municipal de Governo.

 

A matéria de O Globo cita ainda Isabela Nunes Mayerhofer, mulher e sócia de Paulo Matraca na Edafo, que acabou contradizendo o depoimento do companheiro ao dizer que o galpão ainda pertence à empresa. O nome de Victor Carvalho aparece como sócio da Edafo. Consta ainda, como ex-sócia, a professora Alessandra Lyrio Ribeiro. Ela é casada com Marco Antonio Beraldi, advogado do PP, partido que apoia o PR campista. Ângelo Rafael Barros Damiano aparece como o subsecretário de Governo, responsável pela distribuição do material de campanha do PR.

 

Durante a atuação dos fiscais no galpão, o juiz eleitoral da 75ª zona eleitoral, Geraldo da Silva Batista Júnior, determinou a apreensão de oito veículos estacionados no local da irregularidade: um Kia Soul, preto, ano 2010, placa LPP 9785, de Campos dos Goytacazes (o site do Detran informa o primeiro nome da proprietária: Débora); um Volkswagen Gol bege, ano 92, placa KTT 8200, de Campos dos Goytacazes (em nome de Cristiane); um caminhão basculante Mercedes vermelho, ano 76, placa LFP 1786, de Campos dos Goytacazes; uma caminhonete Chevrolet, placa KAM 7591 (cuja placa não está registrada no Detran-RJ); um reboque sem placa; um caminhão Ford verde, ano 89 placa LIN 6107, do Rio de Janeiro (em nome da empresa Light); uma máquina Fiat Allis- FG 140 articulada e uma motocicleta Dafra Zig 50 sem placa.

 

O Ministério Público Estadual, o Departamento de Ordem Institucional da Polícia Federal e a Coordenadoria Geral de Fiscalização do Estado vão investigar o envolvimento de empresas com a campanha do ex-governador. A Justiça Eleitoral investiga ainda outras firmas campistas – a J.C. Oliveira Construtora Ltda e a GRG Reis Construtora Ltda – onde foram apreendidos computadores e material de campanha.

Fonte: http://www.jornalterceiravia.com.br